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O que é luto e como lidar com a morte de pessoas queridas?

A sociedade em seu ritmo alucinante parece ter deixado de lado o fato de que todos nós somos finitos. Não pensamos na morte e nem em como lidar com a morte e o luto

A perda de pessoas queridas é sempre um desafio interno repleto de angústia, dor e questionamentos. Esse período de sofrimento é chamado de luto e não há um padrão a ser considerado, pois cada pessoa expressa de uma maneira sua reação emocional quando perde alguém que é de importância em sua vida.

Falar sobre a morte no geral é muito delicado. Por isso, lidar com os sentimentos de luto para algumas pessoas pode ser algo realmente complicado e com uma grande dificuldade de superação. É comum relembrar momentos únicos ou pensar em planos futuros que não acontecerão mais. Além disso, somos inundados por uma série de sentimentos, como saudade e arrependimentos, provenientes de coisas não faladas ou não feitas.

Temos a tendência de considerar a morte como um fato aceitável e natural apenas na velhice. Esquecemos que a concepção social da morte é resultado de todo um processo histórico marcado por diferentes sistemas econômicos e sociais, bem como por costumes que envolvem dimensões existenciais, subjetivas e espirituais.

Além disso, saber o que falar para uma pessoa de luto não é fácil. Em uma fase tão sensível, a paciência e entendimento devem estar vivos. Compreender esse processo de perda é fundamental no tratamento de todos que passaram por isso. Portanto, é necessário que cada um leve o tempo que for preciso para recompor-se e focar-se em seus objetivos pessoais.

Dor da perda e os sentimentos

Nós, humanos, não estamos preparados para enfrentar a finitude da vida. Ou seja, é sempre difícil falar sobre a morte ou saber se alguém de quem gostamos morreu.

Podemos falar de diversos tipos de morte: a natural, a não natural (acidentes, violência, suicídio), doenças graves, imprevistos clínicos. Porém, muitas vezes, eles aparecem na conta da lei da vida: nascer, crescer, amadurecer, envelhecer e morrer.

O ambiente e a forma em que a morte ocorre vai determinar em grande amplitude a forma como ela vai ser encarada. O comportamento frente a morte é determinado por diversos fatores. E, como qualquer outro comportamento, ele é selecionado pelas suas consequências e pelo repertório que a pessoa possui para lidar com o rompimento de vínculos.

A expressão do luto terá peculiaridades de acordo com os ritos familiares e a cultura. A dor da perda é avassaladora para o território emocional e psíquico das pessoas submetidas a essa experiência. Contextualizar a morte, num determinado momento, é de difícil execução.

O que é luto?

O significado de luto será diferente para cada pessoa. Muitos tentam assumir posturas contrárias aos seus sentimentos de dor, por medo de não sair da situação de tristeza e amargura. Porém, o correto, por pior que pareça, é se permitir sofrer. Somente quando extravasamos as emoções que conseguimos encontrar uma justificativa ao ocorrido e aceitar os fatos.

O luto é um conjunto de sentimentos que vem após uma perda significativa. O processo de luto é uma adaptação à perda e se organiza quando a morte é tomada como algo real. Ele ocorre com o enfrentamento, apontando certa disponibilidade para novos investimentos e, consequentemente, reorganizando a vida da pessoa.

É um processo saudável e necessário para a cicatrização e elaboração das feridas provocadas pela morte. É um trabalho subjetivo, com o estabelecimento de um real equilíbrio das referências e representações de espaço, tempo e identidade.

O luto é uma resposta inevitável que move o indivíduo a viver um processo de ajustes em todos os setores da vida. O luto patológico, ou luto complicado, é marcado por uma intensificação nos sentimentos, impedindo a reorganização da vida, a superação e o início de projetos futuros.

Sentimentos de raiva, culpa, impotência, perda, ansiedade, depressão, tristeza e desamparo fazem parte desse conjunto e do rompimento do vínculo.

Além disso, podemos classificar o processo de luto como toda adaptação à perda, independente do que se trata. Dessa forma, entende-se também que ele ocorre quando há algo que abale emocionalmente a vida de alguém, como, por exemplo, o término de um relacionamento.

Portanto, a definição de luto não está ligada somente à morte, mas ao fim de algo ou à uma mudança brusca que gere grande impacto emocional.

Classificação do luto

Não há como denominar tipos de luto, ele é um processo único e individual. Pode-se interpretá-lo em níveis, que partem da ideia de aceitação e da intensidade emocional com a qual o momento é vivido.

Sendo assim, não são todas as pessoas que chorarão compulsivamente e descontroladamente. Há também pessoas que conseguem manter sua rotina normalmente, porém, isso não significa que elas não estejam no mesmo processo de dor e compreensão. São somente modos distintos de lidar com o luto.

Há também o luto de pré-morte, ou seja, quando a alguém passa por um processo irreversível e os familiares e amigos queridos já começam a aceitar a perda antes mesmo dela de fato acontecer.

Estágios do luto

A psiquiatra Kübler-Ross aponta cinco fases para a elaboração do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Essas denominação não significa o fim do sofrimento, mas um período em que a pessoa deixa de lutar contra a morte e que facilita o enfrentamento.

Geralmente, essas fases se mesclam, dificultando a retomada do curso normal da vida de quem fica. Quando falamos em elaboração do luto, nos referimos a vivência da perda e das dificuldades em entrar em contato com as contingências do vazio que a perda causa.

Alguns autores colocam um período de quatro meses até dois anos para a superação desse luto. O que determina esse processo e a magnitude desse luto é o vínculo que existia com a pessoa que morreu.

Dessa forma, alguns estudos classificam o luto em etapas, que podem se expressar com todas as características citadas ou não:

Fase 1 – Negação: ocorre a negação da realidade e do problema, desse modo, tentam achar algum jeito para relembrar a perda. A pessoa evita falar do assunto e chora muito;

Fase 2 – Raiva: sentem ódio por considerarem uma injustiça e buscam um culpado pelo ocorrido – muitas vezes eles mesmos;

Fase 3 – Negociação: a pessoa busca uma solução para alterar o que aconteceu. Geralmente, negocia possíveis mudanças e realiza promessas;

Fase 4 – Depressão: a dor, tristeza e cansaço ficam mais fortes. O indivíduo se isola e sente-se impotente diante da situação;

Fase 5 – Aceitação: A saudade ainda continua, mas a compreensão faz com que seja possível enxergar novamente a vida com paz.

As 5 fases do luto não são um processo fácil e geram um impacto diferente em cada um. Por isso, a ação varia muito dependendo de cada pessoa e de aspectos como: proximidade, intimidade e se a morte foi inesperada. Então, por estarmos tratando de diferentes etapas não é possível saber quanto tempo dura um luto.

Sintomas no status de luto

Falar sobre o luto é importante, então, devemos conhecer também os sintomas e consequências desse período complicado. Não há como superar a morte de uma maneira fácil e cada pessoa sente a dor de forma diferente.

Para alguns, o tempo de luto será marcado pelo isolamento social, baixa autoestima e pessimismo. Para outros, as etapas do lutos podem percorrer a impulsividade, hostilidade e agressividade.

De qualquer forma, a dor do luto precisa ser sentida. Geralmente, será incômoda e trará altos níveis de irritabilidade, porém como enfrentar a morte de um ente querido será algo bem pessoal. 

Um dos cuidados, entretanto, no período de luto é a utilização de substâncias lícitas (álcool, tabaco) ou ilícitas (drogas tóxicas). A busca da realidade por meio desses agentes pode ser muito prejudicial para a saúde e dificulta a melhora emocional.

De qualquer forma, o processo de luto dá sinais de quando ocorre e devemos prestar atenção neles para procurar ajuda o quanto antes. Então, acompanhe os seguintes sintomas do luto e melancolia:

Crises de choro, raiva, estresse e ansiedade;

Alimentação compulsória ou falta de apetite;

Insônia;

Melancolia;

Sinais depressivos;

Falta de vontade de exercer qualquer atividade, como estudo e trabalho


Dicas para lidar com a morte de pessoas queridas

Não é possível precisar quanto tempo dura o luto. Por conta disso, é interessante saber de alguns modo sobre como lidar com a morte. Nesse sentido, veja a lista a seguir:

O importante é dar chance ao tempo, procurar encarar o luto como sinal de processo e um ciclo que terá fim. Ele poderá durar bastante tempo, por isso, é importante se livrar de cobranças e expectativas;

Procurar ajuda psicológica é uma maneira excelente de lidar com a dor, porque só assim a pessoa terá oportunidade de falar tudo que sente e que o incomoda. É importante ser ouvido e aconselhado por um profissional, que irá respeitar a dor e a direcionar da melhor forma;

Como lidar com o luto pode ser complicado, por isso, continue a vida da melhor forma possível, ou seja, vivendo a rotina;

Tenha sempre em mente boas lembranças, reviva somente as memórias boas e momentos felizes;

Reserve mais tempo para descansar, se cuidar e dar uma atenção maior para coisas que gosta de fazer.

Como tratar o luto

Primeiramente, é importante destacar que o luto não é um transtorno ou uma doença, ele é um processo natural de aceitação. Portanto, todos aqueles que sofreram perdas de entes queridos estão dentro do período de luto.

Não é necessário, nem indicado, que haja controle emocional por meio de medicamentos e tratamentos mais específicos, pois os sentimentos não devem ser, de forma alguma, contidos, e sim superados e compreendidos. Desta maneira, o mais indicado é um acompanhamento psicológico para que haja uma assimilação melhor dos fatos e para que a dor emocional seja amenizada.

Aconselha-se o tratamento psiquiátrico somente em casos de reações psíquicas no processo emocional, ou seja, quando o estresse, a insônia e a depressão tomarem o controle da situação e da vida da pessoa.

Terapia do luto

Nesse aspecto, a figura de um especialista na área de psicologia é de extrema importância para ajudar e contribuir para que essa fase de enlutamento possa ser enfrentada com mais suporte. É importante que o profissional tenha conhecimento em tanatologia e em terapia de luto e que entenda os significados da morte e do morrer.

As intervenções terapêuticas cooperam de forma eficaz nas reações frente a vivência da morte. O psicólogo permite que as pessoas se sintam amparadas, valida esses sentimentos e emoções e produz reflexão, elaboração e aceitação do luto.

O psicólogo, enquanto profissional da escuta, vai acolher a expressão da dor dos que vivem esse processo, apontando a necessidade de falar sobre os sentimentos e a expressão das emoções.

O aconselhamento do luto é uma estratégia de tratamento psíquico utilizada para que o luto seja superado e o ciclo com a pessoa falecida seja encerrado. Dessa forma, as pessoas que ficam podem seguir as suas atividades.

A terapia do luto é uma modalidade de atendimento clínico psicoterápico voltado para as queixas relacionadas a diversos tipos de perdas que envolvam o processo de luto.

A dor de uma perda

É importante frisar que o luto não é uma doença: é um momento de estresse e angústia frente a perda, que pode ser beneficiado se conduzido por um psicólogo. O profissional ajuda no apoio ao indivíduo, proporcionando uma adaptação e uma retomada à vida no seu cotidiano.

Temos que tomar cuidado para não medicalizar o luto com remédios desnecessários, pois o medicamento pode impedir que a pessoa tenha a real vivência dessa perda.

O sofrimento, frente a uma perda, é inevitável. O importante é encontrar um direcionamento para a resolução desse luto, a reorganização da vida e o investimento em uma vida emocional saudável com um novo sentido de existência.

Em cada uma das fases do luto, o mais importante é vivenciá-las, pois é uma etapa que precisamos encarar para aceitar e compreender os processos da vida.

Finalizando, o luto é uma travessia por um percurso que precisa ir da dor da perda até a completa ressignificação da pessoa que fica. Compreender esse trajeto implica na necessidade de conhecer e descobrir-se e, com isso, atingir uma nova dimensão enquanto ser humano.

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